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15/02 18h21

Entrevista com Paulo Guido, desbravador do surf nas corredeiras do Rio Doce

Foto, bate papo e vídeo novo no final!

Como muitos viram, circulou pela internet o vídeo de um surfista pegando onda numa corredeira sinistra e muito perigosa, e deu o que falar.

Muita especulação rolou em torno de tal façanha  e fomos atrás das informações para trazer em primeira mão e de maneira bem explicativa pra vocês toda aventura.

O surfista em questão é o Paulo Guido Coelho Júnior, natural de Governador Valadares em Minas Gerais, onde mora atualmente.

Batemos um papo com ele por telefone e tiramos várias dúvidas sobre esse surf casca grossa, confira:
Há quanto tempo você surfa e onde?

Comecei a surfar em 1985, na Bahia, mas ao longo da vida sempre frequentei as praias capixabas como Ulé, Setiba, Dunas, Além, Guarapari. Também já fui muito para o Rio de Janeiro e Maresias em SP, a poucos dias atrás estava em Itacaré, um lugar que também gosto muito.

Vamos ao ponto principal que deixou todo mundo boquiaberto, onde realmente foi essa onda que você pegou no vídeo?

Essa onda do vídeo que circulou na internet aconteceu nas corredeiras do morro do Urubu, que fica no lado oposto de um bairro chamado Ilha dos Araujos, que é ceracdo pelo rio, na outra margem do rio tem muitas corredeiras, e é lá que rolam essas ondas, de acordo com o volume da água no rio e época tem vários tipos de onda, aproximadamente 4 a 5 diferentes. Essa onda é quando o rio está enchendo bem mesmo, ela fica ainda mais lisa e perfeita quando sobe um pouco mais.

Quando surfou pela primeira vez nesse local? Como surgiu a ideia?
Acho que foi em meados de 1990, 91.

Na verdade o surf de corredeiras aqui em Governador Valadares começou entre a gente, erámos um grupo de remadores, ainda meninos. Um dos nossos amigos viajou para a Suíca e trouxe uma fita ainda VHS que tinha uns caras surfando numa corredeira na Europa e ficamos loucos com aquilo. Pensamos: Se os caras surfam lá, porque a gente não pode surfar aqui?

A primeira tentativa foi a uns 10 km rio abaixo, numa onda pequena e acredito que eu fui o primeiro a conseguir ficar em pé. Mas era muito perigoso o local.
Fomos buscando outras partes do rio para tentar e testar até chegar nessa parte do rio onde foram feitas as imagens que circularam na internet.

Quais as condições para “dar onda” no rio?

O Rio tem várias condições de nível, mais vazio, mediano, cheio. Qaundo ele está vazio o rio fica bem clarinho, alguns amigos fazem mergulho pegando peixe. Mas as ondas ficam pequenas, é uma direita próxima a margem, bem fácil.
Quando o rio omeça a encher, aí aparece a primeira onda da corredeira, que é uma esquerda muito boa!
Quando ele enche ainda mais tem uma onda lá atrás que chamamos de boca do leão, bem manobrável, mas quando você cai tem um buraco que você toma um caldaço, tipo um liquidificador que te chacoalha pra todos os lados.
A onda do vídeo é o rio cheião como puderam ver.
Com o volume um pouco mais cheio ainda que esse vídeo, aí sim dá a melhor onda de todas, que não conseguimos ainda filmar, a onda fica enorme, lisinha, manobrável pra tudo que é lado, com aproximadamente 6 a 8 metros de comprimento, cabem até 4 a 5 surfistas na mesma onda, essa é demais mesmo!

Como vocês organizaram essa trip pra surfar na corredeira?

A surftrip a gente organiza a qualquer momento, pois é pertinho, tem vários medidores e indicadores que sabemos as condições das ondas. São 600 metros no máximo remando até a outra margem ou pode atravessar de carro dando a volta contornando o rio e depois pega uma pequena trilha, pois o outro lado fica dentro de um parque ecológico.
Quem eram os surfistas que estavam no dia do vídeo?

Eu, Daniel Gomes, Fernando Mourão e André Bretas.

Quais os perigos dessa aventura?

Sem dúvida quando o rio está cheio é o risco é de afogamento. A tensão está a flor da pele. A onda é gigante, uma pressão muito grande e o barulho é impressionante, chega a incomodar e assustar.
O grande perigo é na hora da vaca e você se afogar nas ondas de trás, pois é um mundo de água, correnteza pra todos os lados, inclusive para baixo. Qualquer vacilo, como já aconteceu, pode afogar.

Vocês tem alguma técnica pra escapar desses caldos monstruosos?

Nós temos um ritual para evitar, quando você cair, tente pegar de qualquer maneira a prancha e reme com tudo pra sair da zona de impacto. Porque vai vir chumbo grosso. Existe uma correnteza muito forte descendo e outra muito forte parada, entre essas duas correntezas é que formam os grandes redemoinhos. Ele te roda e joga pra dentro da corredeira e muitas vezes pra baixo, te afundando com a prancha. Igual ao mar, quando você não consegue furar a onda e volta com ela para o caldo.

Uma saída é pegar a prancha e deitar nela e descer a favor da correnteza remando na diagonal em direção à margem, quando você tem outros ondões na sua frente, nunca tente bater com a prancha ou passar por cima que vai se lascar, fure, dê golfinho igual ao mar e continue remando na diagonal em direção a margem.

E se alguém quiser se aventurar e fazer um surf no rio ou ate conhecer a cidade?

Claro, vale muito a pena, o rio é de fácil acesso. Aqui no bairro onde moro tem várias pousadinhas para todos os preços.
Fora o surf, temos vôo livre, trilha de mountain bike, JetSki … tem emoção pra todo mundo. Ah, e muito noitada, isso também não falta.
Surf de manhã e boteco a noite. Rs
Podem me ligar que será um prazer apresentar as ondas daqui: (31) 9102-8124 , Paulo Guido.

CONFIRA O VÍDEO COM ALGUNS MOMENTOS DESSE SURF

Por Administrador
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