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11/09 17h21

Entrevista exclusiva com Márcio Zouvi da SHARPEYE

O shaper do Filipe Toledo, Alejo Muniz, Ian Gouveia e muitos outros atletas do mundial de surf

A famosa fábrica de pranchas SHARPEYE, sediada na Califórnia, EUA, é fruto do sonho de um carioca, obviamente nascido no Rio de Janeiro (RJ) e radicado na Califórnia (EUA) desde o fim dos anos 80, Márcio Zouvi é um dos shapers brasileiros mais respeitados internacionalmente.

Somente nos EUA, Márcio já produziu mais de 35 mil pranchas de surf, fora os licenciamentos em outros países.

Com muito orgulho conseguimos bater um papo bem legal pelo telefone com esse ícone da arte de shapear e abaixo vocês podem conferir na íntegra o que rolou:

Márcio e Filipe Toledo

Como tudo começou? … Você teve alguém que te instruiu?

Não, eu não tive ninguém. Aprendi na marra no Brasil, descascando prancha, aprendendo a mexer com resina e fazer conserto, é a primeira fase onde todo mundo meio que aprende, pra depois eu começar a fazer prancha nova. Quando vim para os EUA eu tive acesso a um material diferente, ferramentas diferentes.

E a inspiração, onde buscou?

No início você quer sempre fazer prancha pra você mesmo, e me inspirei nisso, em querer fazer uma prancha boa para mim.

Como foi essa sua mudança do Brasil para a Califórnia?

Eu fazia faculdade no Brasil e não estava muito satisfeito, daí resolvi viajar para aprender inglês e conhecer outras culturas. Quando cheguei aqui na Califórnia eu estudando inglês eu vi que era o centro nervoso da fabricação de pranchas mundial, dos anos 80. As melhores pranchas saiam daqui e da Australia. Daí eu arrumei um emprego aqui e aí comecei a trabalhar e resolvi ficar.

De onde veio a ideia para o nome e a logo Sharpeye ?

Cara, Eu comecei a desenhar a logo para saber o que seria a marca. E o nome Sharp Eye veio mais pelo fato de você ver os detalhes. Me lembro de ficar prestando atenção nos shapes e tinham coisas não eram fáceis de ver, você tinha que ter o olho afiada, você tinha que ter o feeling.

Sobre a sua relação profissional com o Top Filipe Toledo, como tudo começou?

Aconteceu quando ele era bem pequeno, quando ele veio aqui pra Califa surfar o US Open Junior, que o Renato Galvão tinha mandado um e-mail falando: ‘’Márcio, esse moleque é de Ubatuba, faz umas pranchas pra ele, porque esse garoto é o maior talento novo aqui’’. E aí eu fiz. Ele começou a surfar com as pranchas e qualificou usando as minhas pranchas. Foi assim que a gente começou o relacionamento.

Com a ida do Filipe Toledo para a Califórnia facilitou mais a sua relação com ele? No sentido de ajudar a montar o quiver ideal para ele competir, etc …

Facilitou muito! Por exemplo, eu tenho atletas como o Ian Gouveia, o Alejo Muniz, e fica muito mais difícil, os caras acabam que tem que vir aqui, não tem como, e a gente trabalha 1 semana ou 2 fazendo as pranchas, acertando os detalhes. Já o fato do Filipe estar aqui fica tudo mais fácil. Não só eu vou lá surfar como o meu team menager também vai lá surfar com ele, vê os detalhes, o que que tem que mudar, fica muito mais agilizado.


Quiver do Filipe Toledo

Em média, quantas pranchas ele (Filipe) usa por ano?

Em média 60 a 80 pranchas por ano. Teve um ano que foram mais de 100, mas em média não passa de 80. Pois a gente está sempre experimentando coisas novas e dando pra ele testar nos intervalos dos campeonatos.

Como todos sabem, o surf evolui muito a cada ano, são manobras diferentes, muitos aéreos, surfistas atacando e indo cada vez mais no limite da onda.
Essa evolução tem a ver com as pranchas atuais que facilitam a vida do surfista ou é um trabalho/evolução conjunta, do surfista e do Shaper?

Cara, hoje em dia o surfista tenta se expressar de maneira muito artística na onda, querendo fazer o que ele acha que quer fazer. Então cabe a mim tentar fazer com que a prancha esteja respondendo na expectativa que ele quer. A prancha não tem que ficar no caminho, ela tem que estar de uma maneira de que, onde ele quer ir, ou o que ele quiser tentar, ela vai ajudar a ele chegar lá. Então eu acho que o detalhe está mais em eu saber o tipo de onda, pra fazer o ajustes praquele tipo de mar e que naquela onda ele consiga fazer o que ele quer.

No seu processo de fabricação, você destacaria algum detalhe? Como por exemplo: material, pesquisa, etc … algum tipo de exclusividade?

A gente está toda hora experimentando material novo, combinação de material, aqui temos um acesso muito grande a diversos materiais e como viajo muito eu vejo muita coisa diferente, e estamos sempre testando, eu testo com o Filipe e testo com outros atletas também, pra ver o que vale a pena.
Mas as vezes não necessariamente um material que traga durabilidade ou alguma coisa nesse sentido, venha ajudar em performance. No caso do Filipe e atletas desse nível, eu não penso em durabilidade, penso em performance ‘’first’’. Isso é o que vem em primeiro lugar.
No caso do cliente que compra uma prancha na loja, ele pensa em durabilidade pensando no retorno do investimento dele. Ele quer que dure. Então as vezes essa durabilidade pode comprometer um pouco a performance, da maneira como a prancha reage, as vezes fica mais dura, entendeu.


Alejo Muniz com seu quiver

O que você acha que mudou na prancha dos atletas em 2017?

Não cara, eu tenho visto só refino, só refino em detalhes, como te falei, cada prancha pra cada etapa. Eu faço um seriado de pranchas pro Filipe pra cada etapa do tour. Essa etapas eu foco bem de acordo com o feedback dele do último ano, pra ver se essas pranchas por exemplo pra Fiji funcionaram bem, o que que a gente pode mudar ‘’nessas pranchas’’. As pranchas de J-bay já são diferentes um pouquinho, já as de Trestles mudam bastante. Então no geral o trabalho tem sido feito mais pro tipo de onda do que outro tipo de refino.


Alejo Muniz e seu power surf

O Alejo Muniz também é da sua equipe, e o surf é bem diferente do Filipe Toledo. Existe algum detalhe particular da prancha do Alejo que difere do Filipe?

Sim, o Alejo é mais forte e mais pesado, as pranchas engrossaram mais e elas tem um pouco mais de largura. Em termo de curva, as pranchas são parecidas, mas as do Alejo tem um pouco mais de edge, porque ele realmente tem colocado mais pressão e mais peso nas manobras.


Ian Gouveia e seu quiver SharpEye

Quais outros atletas profissionais já usaram a sua prancha?

Dos brasileiros, a maioria dos brasileiros eu já fiz prancha. O pessoal realmente quando vem pra Califórnia gosta de experimentar e tem bastante gente que faz. Dos gringos a gente faz bastante pranchas também, mas muitos experimentam, mas não podem surfar. Eu sou amigo do Jeremy Flores que volta e meia pega umas pranchas e vários outros atletas.
Agora nós temos uma equipe internacional, pois como fizemos licenciamento na Austrália, no Peru e na Europa, nós temos atletas espalhados por esses lugares todos. Quando tive agora na Austrália, eu conheci a equipe australiana, e eles são os melhores amadores, ganharam todos os títulos lá na Austrália. Esses moleques são muito bons, já são considerados os novos CT da Austrália. E as pranchas que eles usam são todas reproduzidas lá na SharpEye Australiana, usando todos os arquivos com nossos modelos que a gente manda daqui.


Atleta Jake Marshall testando os novos foguetes

Para os interessados em adquirir um modelo sharpeye, quais você indicaria e quais os mais procurados pelos freesurfers no mundo?

A “OK” e a nova “77 Model” para freesurf em ondas boas tem sido os modelos mais procurados e eu também recomendo.


Filipinho com sua 77 Model antes de entrar na bateria

Por Administrador
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