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14/03 22h59

Entrevista exclusiva com Jesse Mendes – 1º lugar no ranking do mundial WQS

O ano de 2017 já começou com vitórias incríveis de brasileiros no World Qualifying Series, o WQS, a divisão de acesso onde reúnem os melhores surfistas do mundo em busca de pontos importantes para participar do tão sonhado World Tour (WT). 

Conseguimos uma entrevista exclusiva com esse simpático e casca grossa surfista de 24 anos, local do Guarujá em São Paulo e atual líder do WQS, com 1 vitória e um 2º lugar, ambos na Austrália em etapas que valendo 6.000 importantes pontos para ajudar na classificação para o mundial de 2018.

Perguntamos a ele sobre vários pontos da sua vida pessoa, carreira, as últimas etapas e muito mais, confiram que ficou muito maneiro:

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Jesse Mendes na vitória contra Julian Wilson na final do Australian Open of Surfing 2017

QUE IDADE COMEÇOU A SURFAR, ONDE FOI E QUEM FOI SUA INSPIRAÇÃO?

JM – Comecei a surfar com 4 anos na praia do Tombo, incentivado pelos primos que eram mais velhos. Eu tinha meus primos como referência, como todo filho ou primo mais novo se espelham nos mais velhos.

QUANDO CORREU SEU PRIMEIRO WQS?

JM – O primeiro ano que corri o WQS inteiro, todas as principais etapas foi com 18 anos

COMO VOCÊ SE PREPARA / PREPAROU FISICAMENTE, PSICOLOGICAMENTE PARA A TEMPORADA 2017?

JM – Tem uma equipe que já vem trabalhando há muito tempo comigo, o Paulo Kid por exemplo, foi ele que me ensinou a surfar com 4 anos de idade, junto com o meu pai. Ele é o meu técnico de surf.
Na preparação física é o pessoal da Personal Boards. Na parte de alimentação e exames faço na Personal Lab, com o Dr. Frans, e também tenho uma psicóloga a Dra. Diva Sef.
Normalmente faço sempre uma pre temporada com eles, mas esse ano acabei ficando no Hawaii surfando direto e não consegui a fazer a tempo.

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QUAIS SÃO SEUS PATROCÍNIOS?

JM – Quiksilver, Nosso Lar Construtora e Chiclete Trunk

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QUAIS OS SURFISTAS QUE TE INSPIRARAM OU AINDA INSPIRAM NO SURF?

JM – Os surfistas que mais me inspiraram foram muitos, pois cada época você acaba ‘’escolhendo’’ um, mas no geral caras que admiro muito são o Kelly Slater, Mick Fanning, Joel Parkison … hoje em dia tem um monte, como Jordy Smith, Gabriel Medina. Não é nem que me identifique, é que eu aprecio o surf desses atletas.

 

QUAL A PRANCHA MÁGICA QUE VOCÊ ESTÁ USANDO ATUALMENTE?

JM – As pranchas que usei nas 2 últimas etapas foram o modelo Rook15 do Al Merrick, tamanho 6’0 com 18 7/8 e 2 5/16 . Surfei com a mesma prancha o campeonato inteiro, nas duas etapas da Austrália. Inclusive foi a mesma prancha que ganhei em Portugal, no Caiscais ano passado (2016). Ela está meio acabadinha, mas ainda funcionana muito. (risos)

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PARA ESSAS DUAS ETAPAS QUE VOCÊ CONSEGUIU ÓTIMOS RESULTADOS (1º e 2º lugar),
VOCÊ ADOTOU ALGUMA ESTRATÉGIA EM PARTICULAR?

JM – A minha estratégia é diferente pra cada bateria, porque o mar vai mudando, as condições também e o adversário.
Eu priorizei focar em mim e soltar meu surf. E fui montando as estratégias conforme as coisas iam acontecendo. Não teve uma estratégia definida.

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NA FINAL DO AUSTRALIAN OPEN, FOI COMO UMA FINAL DE COPA DO MUNDO, MUITA ANSIEDADE E PRECISANDO DE UM NOTÃO FALTANDO POUCOS MINUTOS PARA ACABAR A BATERIA.
COMO FOI PRA VOCÊ ESSA FINAL? O QUE PENSOU QUANDO VEIO A ONDA DA QUE SERIA A DA VIRADA?

JM – A bateria do Julian já era a final, por isso é natural que já role uma pressão, claro, mas eu até fico mais tranquilo quando está mais pro final do campeonato, porque você já passou por tanta coisa durante o todo o evento que você fica muito ativo e já está bem aquecido. Lógico que dá um frio na barriga e rola uma pressão, mas é diferente do início do campeonato que você não sabe como estarão julgando seu surf e tal.
A essa altura você já sabe o que tem que fazer.

E quando veio a onda, eu já sabia que precisava de uma nota bem alta, pois tinham acabado de anunciar e eu procurei ficar bem tranquilo, respirando e focado no meu surf. Foquei em fazer meu surf, eu vi que era uma boa onda e que eu podia tirar a nota que precisava. No final da onda eu tive uma certeza que poderia virar. Foi uma onda que pelo o que eu já tinha feito na onda anterior de 8.87, já sabia que viria uma nota perto de 1 ponto a mais, por isso fiquei bem confiante que seria a virada.

QUAIS SÃO SEUS PRÓXIMOS PASSOS E ESTRATÉGIA PARA 2017, JÁ QUE MAL COMEÇOU E VOCÊ ATINGIU 55% DO MÍNIMO NECESSÁRIO PARA CLASSIFICAR PARA 2018?

JM – Minha estratégia é a mesma, focar no próximo evento que é o Japão 6.000. O meu objetivo é fazer o maior número de pontos possíveis pra não depender de nada nem de ninguém, ficar tranquilo pro final do ano se Deus quiser classificar, se for da vontade Dele tenho certeza que vai acontecer.
E ficar tranquilo pra continuar fazendo meu surf e desenvolvendo meu surf.
Meu foco será todo nas etapas de 6 mil e 10 mil pontos do WQS.

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VOCÊ PLANEJA, ENTRE AS ETAPAS, FAZER ALGUMA SURF TRIP ESTE ANO?

JM – Sim, eu tenho um break grande agora até a etapa do Japão, quero fazer alguma trip para algum lugar. Não quero ficar muito tempo em casa de ‘’bobeira’’.
Ainda não decidi pra onde, vou ver swell e decidir qual o lugar que eu quero ir surfar no momento.
Fora isso já tenho um trip pra Mentawai planejada no final de Junho, antes do PRIME de Balito na Africa.

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2º lugar em Manly, na Australia / 2017

ONDE COSTUMA SURFAR NO SEU DIA A DIA?

JM – Meu local de treino é a Praia do Tombo, fico pouco tempo na verdade por conta das viagens, mas é o lugar mais constante que vou surfar quando estou em casa.

LUGAR QUE TEM VONTADE DE SURFAR E AINDA NÃO FOI E MANOBRA FAVORITA?

JM – Lugar que tenho vontade de surfar é FIJI / Manobra favorita é o tubo.

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SOBRE O ESPÍRITO SANTO, JÁ ESTEVE POR AQUI? TEM ALGUMA ONDA QUE TENHA VONTADE DE SURFAR?

JM – Eu já surfei no Espírito Santo, mas não me lembro agora o nome da praia, sei que era perto do aeroporto, algo assim. Faz muito tempo, era um campeonato brasileiro amador. Eu parei de correr o amador com 16 anos, acho que foi uns 2 anos antes isso, tinha 14 anos se não me engano.
E eu tenho muita vontade de surfar Regência, é a onda que eu mais tenho vontade de surfar no Brasil.
Quero muito poder ir lá um dia.

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QUE RECADO VOCÊ DEIXA PRA GALERA QUE TAMBÉM SONHA EM CHEGAR AO MUNDIAL DE SURF E SER UM ATLETA PROFISSIONAL?

JM –  Tem que treinar forte e ter fé que Deus tem o melhor pra você independente do que aconteça. E ficar tranquilo, se deitar Nele, relaxar, mas treinar muito forte. O máximo que você conseguir.
Sempre mantendo o equilíbrio, não pode ficar também fissurado e louco, senão bate cabeça.

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Foto: Marcelo Barros – Oi Rio Pro 2016

Por Administrador
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