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29/11 22h55

Entrevista exclusiva: Johnny Cabianca, o Shaper do Medina

Ele esteve no dia 23 de novembro em Vitória numa tarde maneiríssima, com muito conteúdo relevante e descontração

No dia 24 de novembro, quinta-feira, a Loja Cabana conseguiu trazer nada mais nada menos que o JOHNNY CABIANCA, shaper do nosso campeão mundial e um dos surfistas mais influentes do mundo, o Gabriel Medina, que dispensa apresentações.

Foi um dia atípico na capital capixaba, pois contamos a presença desse gênio da plaina que chegou da Espanha e veio direto para Vitória conferir uma tarde muito discontraída com clientes, amigos e todos que puderam comparecer nesse bate papo que durou das 16 h até às 21 h, na loja Cabana.
Os temas abordados foram os mais diversos e na página da Loja Cabana no Facebook (clique aqui), você pode conferir um pouco dos lives que eles fizeram durante a presença desse mestre da arte de shapear.

Como o SURFVIX não perde tempo, conseguimos uma entrevista exclusiva com o intuito de conhecer um pouco melhor desse grande shaper, Johnny Cabianca, que nos atendeu com muita simpatia e atenção, agora dividimos abaixo com vocês.

Conheçam um pouco mais do JOHNNY CABIANCA:

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COMO TUDO COMEÇOU?

Eu pegava onda com minha família, vivíamos na praia, com uns 12, 13 anos de idade tinha 1 prancha para dividir com meus 5 irmãos (risos), éramos 6 ao todo. Aí já viu, ela vivia quebrada.
Então tudo começou comigo consertando a nossa prancha, depois os amigos aproveitaram e começaram a me mandar suas pranchas para consertar, com isso, por volta de 1980, eu entrei de cabeça e montei minha própria produção de pranchas em São Paulo.

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Johnny com donos da Loja Cabana

O QUE TE MOTIVOU?

A minha família é formada por pessoas muito estudiosas, meu pai sempre exigiu muito estudo e determinação dos irmãos. Meus irmão são dentistas, agrônomos, psicólogos e eu, fabricante de prancha.
Não tive incentivo nem motivação por parte da minha família (risos), mas eu sempre tive uma paixão pelo poliéster que ninguém consegue descrever.
Estou há 36 anos fazendo prancha e até eu morar na Europa, por toda minha vida eu tentei parar de fazer pranchas, mas nunca consegui. (risos)

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Entre amigos e palestra com muito bate papo para quem compareceu na tarde com o Cabianca em Vitória

HOJE VOCÊ TEM NOME RECONHECIDO INTERNACIONALMENTE. COMO VOCÊ SE ESTRUTURA PARA CONSEGUIR VENDER SUAS PRANCHAS PELO MUNDO?

No Brasil eu fiz uma grande parceria com a PRO-ILHA, eles fazem a minha distribuição aqui.
Desde 2000 que eu tô morando na Europa e já passei por alguns países. Estive no Hawaii, Califórnia, Portugal e no final (2003) me fixei em Zarau, na Espanha. Hoje realizei um sonho e eu estou com a minha própria fábrica na cidade onde moro, e há 6 meses já estamos produzindo pranchas diariamente.
Tenho feito inicialmente uma produção ainda tímida e isolada, mas estamos tendo um grande êxito com muitos pedidos. Acho que a coisa está caminhando para uma produção grande para 2017. Já estamos com uma boa quantidade de pedidos nível Europeu (França, Portugal, Itália, Suécia, Suiça, Alemanha,etc) muito bom.
E tenho alguns parceiros que sempre me convidam para fazer algo mais discreto, mesmo assim muito significativo, na Austrália e Califónia, lugares que ainda vou dar prosseguimento no futuro.

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Além do bate papo, ele conversou diretamente com clientes que quiseram encomendar
sua prancha. 

SOBRE O GABRIEL MEDINA, COMO COMEÇOU A SUA RELAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL COM ELE?

Eu fui morar em Maresias em 95/96, mas antes disso eu já era muito amigo do Charles (padrasto/Pai do Gabriel). E a gente tinha casa no mesmo condomínio na praia do Quaeca, em São Sebastião. Como eu era o mais velho e tinha um carro, juntava a galera, fazíamos a barca do surf e íamos surfar em Maresias, Camburi, Ilha Bela, etc. Sempre viajávamos juntos com outros amigos, ia sempre o irmão dele também o Richard. Então essa amizade com o Charles já era bem antiga.
Depois fui para Maresias, para o projeto da fábrica em Camburi com o Luciano Leão, nessa eu e o Charles com alguns amigos, montamos em sociedade um restaurante. Isso tudo antes do Gabriel. Sempre tivemos uma amizade bem sólida.
Foi quando o Charles começou a namorar a Simone (mãe do Gabriel), e logicamente já existia o Gabriel.
O Gabriel era só mais um garotinho de Maresias, assim como milhares de surfistas que tem por lá. Ele o irmão dele, Felipe. E a Simone era aquela amigona, que estava todo dia ali com a gente.
Quando eu me mudei pra Europa meio que perdi o contato, digo aquele contato do dia a dia. Mas eu de longe via que o Gabriel estava crescendo cada vez mais. As vezes eu vinha passar Natal e Reveillon em SP, encontrava o Gabriel e ele já era aquele garoto enorme. E o Charles ficava me falando super empolgado: ‘’Nós vamos competir no Sul’’, ‘’Vamos competir no Norte’’. E cara, eu via o moleque crescendo de tamanha maneira no surf, foi quando em 2009, ele começou a aparecer num campeonato que rolou em Floripa, que ele ganhou. Em seguida ele foi correr a perna Europeia, daí eles ficaram na minha casa, foi um verão europeu bem legal, quando voltamos a restreitar mais os laços.
Mas eu já conheço o Gabriel, sei lá, acho que desde quando ele nasceu. (risos)
Lembro de uma vez que fiz uma prancha para ele, nossa, muitos anos atrás, a partir de uma prancha descascada que um amigo local, lá de Maresias, tinha me dado. Gabriel devia ter 9 anos.
Nossa relação começou assim, como um bairro onde todo mundo se conhecia.

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Clientes do Cabianca que foram conhecê-lo e encomendar pessoalmente uma prancha nova
direto com o shaper

O QUE MUDOU NA SUA CARREIRA QUANDO COMEÇOU A TRABALHAR COM O GABRIEL?

As coisas ficaram mais ou menos assim:
O que era eu antes do Gabriel e o que eu sou depois do Gabriel.
O Gabriel é uma pessoa muito especial, ele tem um carisma muito grande, é uma pessoa diferenciada.
Eu era um shaper brasileiro normal, tentando permanecer no mercado do surf quando me mudei para fora. Mas eu estava indo bem, tinha alguns atletas, estava produzindo minhas pranchas e meu nome ia crescendo aos poucos na Europa.
Quando começamos a trabalhar juntos, não imaginava que seria um impacto tão grande assim. Eu poderia estar hoje como um shaper normal, igual a muitos outros, trabalhando e fazendo minhas pranchas, mas de repente, como eles gostam de falar: Me tornei uma referência.
Pessoalmente não me sinto referência de nada, me sinto uma pessoa normal. Só que estou fazendo minhas pranchas e tenho um diamante brilhando com o meu nome ali.

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E QUANTO AO SURF MODERNO DO GABRIEL, ISSO AJUDA NO DESENVOLVIMENTO DAS SUAS PRANCHAS?

Aí eu tenho que me defender também, eu ajudei um pouco nesse crescimento da modernidade do surf dele (risos). Deu muito resultado o nosso trabalho conjunto.

COMO VOCÊ VÊ TODA ESSA MUDANÇA DO SURF PROGRESSIVO AO LONGO DO TEMPO?

Existem fases de mudanças no tempo, se você pega na época do Tom Curren, ele muda completamente os estilos de pranchas e o sistema de julgamento da época.
Daí passaram-se alguns anos e chegou o Kelly Slater.
Como vai pontuar um cara que vem chegando com um surf super moderno? Tiveram que mudar de novo os conceitos de julgamento. A leitura de onda do Slater pra época, nos anos 90, era totalmente diferente de tudo.
E agora me aparece o Gabriel Medina. E atrás dele vem um batalhão o imitando.
Os juízes realmente estão tendo um problemão, pois como vão pontuar? Estamos numa fase de mudanças.
Por trás disso tudo, tenho procurado evoluir minhas linhas, tentando sempre mudar e acompanhar, ainda mais com essa pressão toda de aéreo, leitura de onda, de como atacar, etc. Então tenho que estudar sempre, porque as ideias dele (Medina) não param.
Ele por exemplo começou a inovar uma manobra nova, aquela que ele enfia o bico na água, que o Jeremy Flores fazia no freesurf. Mas agora o Gabriel faz aquilo com uma facilidade e uma agressividade tão grande que os juízes não estão conseguindo pontuar isso daí. Não estão entendendo o que ele está fazendo.
Agora saiu nas redes sociais um cara mandando um 540 no freesurf, tenho certeza que a cabeça do Gabriel está assim: O que será que dá pra fazer no campeonato com isso? (risos)

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Seu principal atleta, Gabriel Medina / Foto: WSL

E VOCÊ CONSEGUE UM TEMPO PARA FAZER UM SURF?

Está difícil agora, não só por conta do trabalho, mas pelo meu filhinho novo. Na verdade 2 filhos, a minha fábrica nova que também é uma criança que está nascendo agora e me ocupa muito tempo. Mas com certeza, sempre que posso vou surfar perto de casa.

VOCÊ JÁ CONHECIA O ESPÍRITO SANTO?

Não conhecia. Eu cheguei aqui 13:30 hs e vim direto para cá (Loja Cabana), não pude conhecer nada ainda. Mas toda a galera que me recebeu aqui, foi com uma receptividade muito grande, pessoal muito diferenciado. Gostei muito!
Nós vemos muito sobre as pessoas pelo olhar e senti muito carinho de todos os capixabas que conheci.

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Foguetes do Gabriel Medina

Por Administrador
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